domingo, 13 de fevereiro de 2011

Descuido



Bebo uma saudade que não me cabe,
Que reflete em lágrimas
E apaga o brilho da constelação
que já foram meus olhos,
em um passado não muito distante.

Aprecio o escuro da noite,
Onde me escondo das artimanhas
das minhas emoções
Um ar de mistério me persegue e,
Caminho sem saber ao certo onde estou

Descuido.

A mudança da fase da lua expõe
Minha face oculta tão escondida
Pela escuridão.

E apesar das incertezas admito,
É hora de recomeçar

E a sombra das minhas curvas se movem lentamente
Na luz do luar e,
Ao dominar meu fingimento

Sigo sem olhar para trás.
(Ro Primo)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Fim de tarde


A fina garoa da tarde
se sobressai na linguagem dos corpos
ávidos por um desejo incontrolável
que incomoda o mundo,

Palavras,saliva, partículas, tudo se torna um...
Enquanto observamos o pôr -do -sol laranja e calmo
nas curvas das sombras maliciosas do toque

Gotas de sonho e suor se misturam
com a límpida água que cai do céu
que mesmo em meio a luxúria nos purifica

Nas ventanias trazida pelas tardes de verão
orgasmos sussurrados delicadamente entre nuvens
transforma o eterno em efêmero.

(Ro Primo e Alano)

domingo, 25 de julho de 2010

***


Distraída,
perdeu sua face no espelho do quarto
Em cada reflexo uma promessa
Em cada olhar lânguido, momentos vagos
vivenciados na noite...

Tem a mania de
transformar amores não vividos em estrelas
Sabe exatamente a localização de cada um.

Colecionadora de sonhos
Criou sua própria constelação

Inatingíveis !

Alguns desapareciam
ela nem tinha tempo de perceber...

A cada dia um novo brilho
Pedaços da noite, estilhaços no chão.

Aprendeu que feridas cicatrizam
E segue pisando firmemente.

A dor não incomoda,

Satisfaz.

(Ro Primo)

Nunca Mais



Ao sonhar demais me perdi,
Enlouqueci em devaneios inventados
por uma mente que sozinha jurou amor eterno.

Imaginação fértil em terrenos impróprios,
plantações de frutos raros
que nunca serão colhidos...

A beleza que floresceu não terá cor
pois os olhos de quem as plantou estão vendados

Só restam os aromas que penetram na alma e
se fixam no coração que palpitante grita
Tudo que poderia ser mas por medo não foi e,

Cala-se.

Para nunca mais.

(Ro Primo)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Descompasso


No escuro da dança das ilusões
passos descompassados
foram guiados na contramão.

Com asas de algodão alcei vôo
na ponte que separa a tormenta silenciosa
de sentidos sonoros que invadem a mente que inquieta
não para.

Emoções inventadas norteiam o caminho trilhado
com a bussola de devaneios que me orienta.

Pousei no porto de águas calmas
que me enlouquece com sua mansidão
e rasgo as amarras imaginarias...

Só assim descubro o prazer de me sentir.
Me liberto...

Na explosão me entrego e confesso,
a deriva é a unção do meu porto que não me cabe,
e me esvaio em sangue,
e mesmo ferida ,um sorriso na alma me persegue!
(Ro Primo)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nós



Na linha que separa o limite entre a loucura e a razão,
Encontrei você e me perdi...

Ondas de tormentas e calafrios abrigam meus sentidos
E entrego-me ao êxtase do momento.

Dança de ilusões...
Movimentos mágicos ,
Corpos saciados
Alma aflita

Nos jogamos aos extremos
Prazer, dor
Plumas e cacos de vidros
Diversidade de sentidos conquistados

Fincamos raízes profundas,
Em cada galho florescemos
E lançamos mais sementes
Ao vento...

Os pássaros encantados
Ajudaram na germinação, e em coro
Cantaram a mais bela canção
Mas desprezamos.

A lua cheia brilhou intensamente
Nos iluminou naquela escuridão de sentimentos,
Não percebemos.

O pio da coruja me fez lembrar que preciso ir...

Como não sei para onde
Qualquer lugar me serve e,

Permaneço...

(Ro Primo)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Revelação



Absolvida pelos ventos esfuziantes do sul
Deixo a brisa tocar levemente minha face,
já tatuada de amarguras e profanas inquietações.

Uma força invadiu meu ser,
Mergulho na intensa profundeza
dos meus instintos mais sombrios

Impulsiono-te a conhecer meu inconsciente,
e apresento o que tenho de mais agressivo e feroz...

Revelo-me...

Ofereço a magia inebriante do prazer e,
Proporciono a mais bela e tenebrosa
psique da visão humana.

Faço-te perder os sentidos...

Torno-me o principio do precipício
Da tua perdição...

Se mesmo assim, quiseres me seguir
Aviso...

Não é seguro.

(Ro Primo)